Passarinho verde,
coração disparado,
poemor.
Lá vem
nova dor
no mesmo peito
do mesmo jeito
sofredor.
E. C.
Do teu amor
que não ouço,
ainda ouso dizer
que é meu.
E se a dor consome
cada vez que o teu nome
beija meus lábios
A água salgada
que meus dedos bebem
brota
entre cacos
cortantes
desse corpo em solidão.
E. C.
Olho no espelho
desconheço.
Pela manhã
anoiteço.
Nas fotos de outrora,
partes perdidas...
Espaços preenchidos
de pincéis e tintas.
Nos diários?
Outras perguntas.
Outras vidas.
Dentro?
Vozes em silêncio...
Palavras escondidas.
E. C.
Ontem,
todos os abraços
moradas de amigos.
Cada sorriso mapeado
Os segredos compartilhados
os olhares de aviso
as palavras de consolo
O choro, o riso.
O circo, a festa.
Hoje, cada um com a sua meta
e seu caminho tão longo...
distante.
As ausências...
as palavras breves
os olhares desviados
os sorrisos forçados
as fotos amareladas.
Moral da história:
Sentimentos não
têm prazo de validade
e o tempo só leva
o que esquecemos
pelo caminho.
E. C.
Escrevo no papel de pão.
É a carência
de papéis, palavras e pão.
Fome que mata
A inspiração nossa de cada dia.
E agora, Maria?
E. C.
Sou metade
com uma dor inteira.
Envolta por camadas
de combate diário.
O avesso do verso
é a verdade.
Pelo não-dito
falo e valho.
E. C.
Escrevo-te
no poema que traço.
E com as palavras que escolho
Revelo o elo [sonho].
Lanço o laço
Acolhendo entre abraços
Teu corpo.
Faço-o amado
nos espaços – entrelinhas.
Uso a fantasia
nos dias sem folia.
E. C.